A cracolândia não acabou, apenas mudou de endereço

domingo, dezembro 26, 2010




Sem medo da polícia e nada a perder, jovens continuam se drogando livremente  à luz do dia no centro de São Paulo

A região conhecida como Cracolândia, reúne diariamente centenas de pessoas de todos os níveis sociais que compram e utilizam a droga livremente. A presença da polícia parece não incomodar os usuários pois a cada abordagem dos PMs, os grupos se dispersam  para em seguida, voltar e continuar a tragar seus charutos improvisados.
Localizada no bairro da Luz no centro de São Paulo, a Cracolândia se expandiu por diversos pontos, causando terror  aos comerciantes,  populares e moradores da  região. Essa ferida aberta é o universo dos drogados que revela terror, furto, mendicância e prostituição.
Pensando em mudar a imagem da cidade, a Prefeitura de São Paulo criou um programa denominado “Nova Luz” que modificara e requalificara a região, afirma Andrea Matarazzo secretária de coordenação das subprefeituras de São Paulo.
Desde 2005, a prefeitura fechou bares e hotéis ligados ao tráfico de drogas e à prostituição, retirou moradores de rua e aumentou o policiamento para inibir o consumo de drogas no local conclui a secretária. Centenas de imóveis foram declarados de utilidade pública, em uma área de 105 mil metros quadrados, e estão sendo desapropriados.
“O objetivo do programa é tornar a área atrativa a investimentos privados, abrindo espaços para empresas do setor imobiliário”, relata Andrea.
Porem a realidade que vemos é totalmente ao contraria do que a prefeitura ilustra, comenta Sr. João Madeira da Silva, 53 anos e morador da região, e diz que a prefeitura esconde a realidade pois as obras são lentas e os drogados que antes ficavam centralizados em um ponto  agora estão espalhados em diversas regiões.
“ Voltando da Igreja  fui assaltada cinco vezes, da última  vez  fui refém no meu apartamento e só fui liberta por intervenção da policia ” desabafa Diva de Cássia Maria, 55 anos e moradora da região.
Dona Diva (como prefere ser chamada) comenta que pensou em mudar de cidade, porem não tem para onde ir e é obrigada a conviver com a violência urbana, mas não sabe até quando vai aguentar. A cada dia ela fica apavorada quando sai pelas ruas da cidade, e acredita que a região onde mora  necessita de uma base fixa da policia e diz que muitos que estão preso nas  drogas, precisão de uma oportunidade  e a prefeitura  não se preocupa com isso.
“O que vejo são algumas ONG´S e Igrejas atuando na região, a prefeitura só manda policiamento quando a imprensa aparece por aqui”, conclui a senhora.

 
Foto: Prédios desapropriados invadidos, rua ao redor da Cracolândia

Foto:  dependente de drogas na Cracolândia


Embora não seja destaque constantemente na mídia, esse problema se multiplica nos bairros periféricos, viciados relatam que é possível encontrar a droga em cada esquina. Especialistas da área da saúde dizem que o consumo do crack invariavelmente vem depois do consumo de outras drogas, e as portas de entrada mais comuns são o álcool, a maconha e a cocaína.
Segundo o psicólogo Thiago Nobling, algo que chama a atenção em nossa sociedade é o preço da droga que se manteve praticamente estável nestes 20 anos. “O que caiu foi a qualidade do produto, a pedra que se vendia há 20 anos não tem quase nada a ver com o que se vende hoje. Antigamente, era uma pedra cor de café com leite. Hoje, o que se vende é algo que tem tanta mistura, tanto bicarbonato, que parece uma pipoca no cachimbo que  depois de acesa, ela cresce e forma uma espuma", conclui.
A avaliação é que a droga de hoje é mais danosa que no passado, e sensação relatada por usuários, de prazer e desconexão, deixou de existir, de acordo com o psicólogo. "Hoje, se fuma e não se sente mais isso. Já cai direto no aspecto negativo, na necessidade de se fumar mais. Muitos usuários nem vêem mais a pedra. Comparam pedaços de papel alumínio com farelo", diz.
Comercio
O comerciante Ricardo da Silva, 47 anos, convive diariamente com os usuários da região da Cracolândia. Diz que a situação vivida hoje é um "deboche". Proprietário de um açougue, o mesmo comenta que perdeu muitos clientes . "Hoje, quem compra aqui são os moradores dos arredores, quem é de fora não se arrisca a vir."
Há 17 anos no local, ele disse ter visto a transição da região, antes marcada por trombadinhas que agiam no centro, hoje o lugar é tomado por viciados. " Muitos ladrões acabaram presos ou mortos, mas o que era antes a 'Boca do Lixo', hoje é isso que se vê aqui é uma legião de zumbis, que passam dia e noite em função da pedra, pela manhã é uma sujeira imensa que sobra e todo o dia a festa recomeça."
O psicólogo Thiago Nobling, afirma que o tratamento dos viciados em crack é difícil, principalmente porque a droga está sempre associada a outras. "Há muitas recaídas, mas o que propomos é um tratamento que passa pelo usuário, com a inclusão da família no processo, e a reinserção na sociedade, é uma história longa, mas gratificante", diz.
Usuário de crack há 13 anos, o desempregado V.A.C., 34 anos, está em tratamento há mais de um ano e chegou a cumprir mais de seis anos de pena por dois assaltos realizados para sustentar o vício. No dia da entrevista, confessou que havia utilizado a droga nas últimas 24 horas. "É muito difícil sair, isso (o crack) vai te matando, é só sair na rua que dá vontade de usar", afirma.
Solução ao Crack
A Prefeitura diz que tem diversos projetos sociais e permite que instituições ajam livremente pelas ruas do centro, oferecendo auxilio a quem quer ser ajudado. Porem talvez ainda não exista uma solução concreta para esse problema, mas o que  a população solicita dos governantes é respeito e investimento  para que todos possam  realmente viver em um sociedade justa e segura.
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sábado, dezembro 11, 2010

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